Quem são realmente meus amigos?
Às vezes penso que na verdade tenho um ou no máximo dois amigos. Amigos de verdade incorruptíveis, que te vêem por completo, na maioria das vezes te enxerga mais rápido que você mesmo. Uma pessoa que conhece todas as suas peças e sabe montá-las uma a uma, como um carpinteiro naval que sabe o lugar de cada pedacinho de madeira de sua nau, essa pessoa sim tem valor pra mim. Valor por completo, diferente de pessoas que te circundam e mais parecem operários bitolados que só conseguem lidar com uma peça ou duas de uma coisa que ela nem mesmo reconheceria se visse pronta, completa. Não consigo deixar de comparar e atribuir menos valor a esses operários, não me sinto confortável em me ver como burguesa de mim mesma, recrutando e/ou adquirindo “operários” cada um enroscando um parafuso de uma parte de mim quando na verdade eles nem sabem que serventia ele tem, a importância que o contexto o atribui. Não sei administrar isso. Preguiça? Não! Valor a verdade, ao íntegro, ao belo.
Alguns podem pensar que a galinha enche o papo com um milho de cada vez. Pois bem, eu não sou galinha.

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