“Queixa-se de que nada lhe agrada?

Ainda aqueles caprichos, meu amigo?

Vendo-o praguejar, chorar, escarrar,

Perco a paciência e a alegria.

Ouça meu conselho! Decida-se um dia

A engolir um belo e gordo sapo

Rapidamente e sem olhar! –

A sua dispepsia ele vai curar!”

 

Nini

Acuso e resmungo sua liberdade

Invejo seu niilismo descarado e franco

Só te suporto de soslaio

Eu sei, bem sei, que se me entrego caio

Sofro o ataque indefensável no flanco

Percebo minha trivialidade

Em ver naturalmente em você

O que eu almejo

E inábil, ofendo-te, rejeito-te

Como ter-te se sou fraco

Como ser “eu” desejado

Se me tira todo o mistério

Confrontas meu personagem

Revela-me que somente isso

Sou.

 

“De repente” já se foi. Tudo que se passa vem se passando e repassando revivendo e revirando o passado de frustrações, mentiras e anulação. Meu roteiro de sensações continua o mesmo, bagunçado e frenético e o de argumentações continua tão pobre como quando tudo começou. Não dá conta. Não evolui. Passar tanto tempo argumentando o fracasso com ele mesmo certamente nunca me levará a lugar nenhum, mas enquanto não descobrir o que de fato é e diferenciar “o efeito” da “a causa” o ciclo não será quebrado.

Receio ter começado a enxergar certas matrizes, mas ainda não dei fala pra elas. São figurantes prontos para ter seu momento, de virarem estrelas, a peça que falta para terminar esse quebra-cabeças. Torço por eles, afinal, minha vida depende disso e essa pode ser a oportunidade de um final feliz ou no mínimo de um “pré-ápise”.

Quem são realmente meus amigos?
Às vezes penso que na verdade tenho um ou no máximo dois amigos. Amigos de verdade incorruptíveis, que te vêem por completo, na maioria das vezes te enxerga mais rápido que você mesmo. Uma pessoa que conhece todas as suas peças e sabe montá-las uma a uma, como um carpinteiro naval que sabe o lugar de cada pedacinho de madeira de sua nau, essa pessoa sim tem valor pra mim. Valor por completo, diferente de pessoas que te circundam e mais parecem operários bitolados que só conseguem lidar com uma peça ou duas de uma coisa que ela nem mesmo reconheceria se visse pronta, completa. Não consigo deixar de comparar e atribuir menos valor a esses operários, não me sinto confortável em me ver como burguesa de mim mesma, recrutando e/ou adquirindo “operários” cada um enroscando um parafuso de uma parte de mim quando na verdade eles nem sabem que serventia ele tem, a importância que o contexto o atribui. Não sei administrar isso. Preguiça? Não! Valor a verdade, ao íntegro, ao belo.
Alguns podem pensar que a galinha enche o papo com um milho de cada vez. Pois bem, eu não sou galinha.

Hoje foi meu aniversário. Na verdade ontem já que são 02:04am.

Fico feliz em dizer que foi muito feliz e agradável.

Cervejinha, rockzinho básico (Gregg Allman, MCA, Janis),  joguinho de buraco, o cão dormindo, a fumaça correndo solta sem ter ninguém me dizendo que não pode ou ninguém de cara feia pra mim.

Show de bola.

Ganhei um livro que me encantou muito, um dinheirinho, carinho dos amigos pelo tel. ou online

Enfim, fiz o que quis sem me preocupar com nada e com ninguém.

Cada vez mais a caminho “eremiticência”.

 

Nada a reclamar, fico por aqui.

 

Preciso urgentemente de motivação. É imprescindível que eu tenha em mente algum objetivo. Não me concentro em nada além de derramar minhas lamúrias. Tudo que eu quero ler, estudar, aprender se confunde na minha mente junto a tristeza ininterrupta, a pensamentos degradantes, monótonos de um ser abandonado e descartável e cansado.

Estou sem forças. Deve ser nesse momento da vida que certas pessoas viram evangélicas. Passo. Eu preciso me apaixonar pela vida, não ouvir que alguém sofreu por mim e eu tenho que ser feliz e agradecida por isso, ao mesmo tempo em que tenho que sofrer pra pagar o quanto foi sofrido por mim. Deus existindo me compreenderá. O que será que significa existir? Ponto de vista, vista o ponto, nesse ponto não visto nada e em outro nada visto. Nua, cega e vazia.  bluéur!

Muito complicada essa situação de já estar quase chegando nos 30 e não saber o que realmente te move, comove, te faz feliz, pleno, realizado. É complicado ser frustrada por não ter frustrações dos ideais não realizados. Acredito na vida a passeio. Não tenho escolha.

Se eu fosse uma pessoa sem talentos, inexpressiva, ignorante, alienada, minha vida seria mais fácil. Confortavelmente passaria a vida sonhando coisas tão impossíveis que serviriam apenas para os momentos de elucubrações de antes de dormir. Como as minhas de ser astrofísica! Até inventei uma piadinha. Uma versão do “onde há fumaça há fogo!” o meu é “Onde há supernova há um buraco negro!” mas acho que só quem riria com isso seria a galera do The Big Bang Theory mesmo. Ai ai…  Então, voltando ao assunto. Não tenho mais nada a dizer sobre o assunto pq não quero nada. Quero os que os fracos egoístas querem. Fugir! Ê, palmas pra mim. Boa noite e boa sorte!