Ainda não escrevi nenhuma música nesse tempo que estou morando na roça.
Este não era mesmo o objetivo inicial e eu, como tantos, sou iluminada pelos raios da inspiração musical quando estou meio pra baixo. Quando se quer escrever, por mais que saia uma bela merda, o fundo do poço – é sim!! – o melhor lugar.
Já escrevi coisas até bem alegrinhas, umas românticas (sem ser de dor de cotovelo), mas não é tão interessante.
Gostaria de dizer que todos nós nos encontramos no amor, mas é bem mais certo de nos unirmos no sofrimento.
A música a seguir escrevi num desses dias de tédio e insatisfação.
Quando as Sras. Fauna e Flora me inspirarem eu mostro pro cês!
Inté!
Vivo ou morto
Débora Dezerto
“Vivo ou morto
As luzes das casas
Parecem não ter fim
As construções se erguem
Sobre mim
As esperanças tornam-se
Ilusões
E confidências se espalham
Por outras dimensões
Eu quero pouco
Quero ter pra mim
Um vivo ou morto
Que me dia sim
Quero o bastante
Que me leve a sonhar
Que é certo o que eu
Quero encontrar
Mil maravilhas imaginei
Sons, curvas, malicias
Em formas eu viajei
Mas nada fica claro
Por que preciso encontrar
A casa do meu recanto
E então enfim repousar
Eu quero pouco
Quero ter pra mim
Um vivo ou morto
Que me diga sim
Quero o bastante
Que me leve a sonhar
Que é certo o que eu
Quero sonhar
Que é certo o que eu
Quero encontrar
Que é certo o que eu
Quero realizar”
